O paradoxo do GNU/Linux

Se você se interessou um pouco pela história do SL e do FOSS, já deve saber que um grupo de hackers formado nos primórdios da computação moderna ficou descontente com os softwares de código fechado e resolveu criar software de código aberto, especialmente um Sistema Operacional completo baseado em UNIX.

Nascia assim o Projeto GNU, que veio a se casar posteriormente com o projeto de um estudante finlandês chamado Linus Torvalds.

O citado estudante, utilizando-se de um dos embriões da internet atual para receber contribuições diversas, juntou-as no primeiro Kernel Linux, justamente a peça faltante ao Sistema Operacional do Projeto GNU.

Desde então percorremos um longo caminho, pavimentado por distribuições de GNU/Linux como o Slackware, o Debian e, mais recentemente, o Ubuntu.

E agora você me pergunta: por que esse sujeito voltou ao nascimento do GNU/Linux?

A resposta é simples e tem a ver com as incontáveis disputas, sobretudo em fóruns e sítios semelhantes, sobre a quantidade de distribuições, de programas para as mesmas funções e falta de padronização “do” e “no” GNU/Linux.

Não há acordo nem quanto ao nome do Sistema Operacional: simplesmente Linux, como querem alguns, obviamente por conta do kernel utilizado; GNU/Linux, como quer o Projeto GNU, de onde vêm todos os demais programas necessários ao funcionamento do Sistema do Pinguim.

Uma coca-cola não pode ser chamada simplesmente de coca sem criar confusão? Sim, e da mesma forma e pelo mesmo motivo, a notoriedade, o GNU/Linux (nome completo, ou nome e sobrenome) pode ser chamado simplesmente de Linux. Não  haverá confusão e muito menos menosprezo ao Projeto GNU nessa redução, que passo a fazer, pois se busca apenas a simplificação.

Quanto aos diversos programas para as mesmas funções, também não há motivo para reclamar.

Imaginem vocês um bolo, um simples pão de ló. Ele pode ser recheado, ou não. Pode conter sabores diversos, por conta do uso de ingredientes diversos numa mesma base, que é conhecida de todos os cozinheiros e está sempre disponível.

Agora considerem o Linux como sendo a base, o pão de ló, e as distribuições como fruto da criatividade dos cozinheiros, e você verá que é impossível impedir a experimentação. Quem quiser  e souber criar sobre o Linux não pode ser impedido de fazê-lo, pois não há mais como esconder a receita da base, ou seja, o modo de se obter o pão de ló.

Agora vamos à questão mais delicada, a padronização, ou mais especificamente, a falta dela.

Há órgãos que cuidam de patentes relativas ao SL e ao FOSS, exigindo, ainda, o cumprimento da Licença GPL em suas diversas versões. Mas nem mesmo esses órgãos podem impedir a construção de sistemas Linux que tragam inovações em qualquer das funções que um usuário precisa para utilizar seu computador.

Se as inovações ficam, ou são logo esquecidas, vai depender da capacidade de arregimentar usuários que se disponham a adotá-las, valendo aqui citar o exemplo do novo (tem uma década, apenas) Arch Linux e de seu Pacman, um gerenciador de pacotes que muitos dizem ser excepcional.

Resumindo esta breve conversa, a diversidade é uma das forças que alavancam o desenvolvimento do Linux. Sem a possibilidade de criar sobre uma base estabelecida, muitos programadores sequer ingressariam no universo SL/FOSS.

Mas, ao mesmo tempo em que determina um avanço, a diversidade traz uma dificuldade, que se traduz na falta de incentivo à produção de softwares comerciais para a plataforma Linux.

São várias distribuições, cada uma com um processo diferente para a instalação de programas e, especialmente, diferentes no modo de organizar bibliotecas e outros arquivos essenciais. Isso, com efeito, impede ou, ao menos, dificulta muito a criação de um pacote de instalação padronizado para um software comercial.

Como visto acima, a diversidade, aqui corolário de liberdade, que resulta em diversidade de distribuições, ambientes desktop ou gráficos, programas específicos etc. é o grande paradoxo do Linux.

Anúncios

Sobre pinduvoz

Advogado por profissão, entusiasta do SL por opção.
Esse post foi publicado em Linux em geral e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s