Preciso do Windows?

Sou advogado e uso computadores desde 1987, mais ou menos, quando compramos, por USD$1.000,00, um PC-XT de contrabando (não havia outro jeito de comprar, pois havia a famosa “reserva de mercado”). Ele tinha dois drivers de disquete de 5 1/4, com a enorme capacidade de 360 KB cada; enquanto um rodava o DOS e os programas, o outro era usado para gravar os arquivos criados, que raramente chegavam a 1 KB.

Naquela época, tínhamos o DOS e um programa para edição de texto chamado WordStar, que não era da Microsoft. Tínhamos também um programa brasileiro para edição de texto, chamado ABC “alguma coisa”, que suportava acentuação (era uma “briga” acentuar no WordStar) sem prejudicar a leitura dos arquivos na tela de fósforo verde.

Somente em 1989 apareceu o Word for DOS, da Microsoft, com versão em português e acentuação, e que logo se transformou em Word for Windows e passou a contar com interface WYSIWYG, acrônimo para “what you see is what you get”, frase que poderia ser traduzida por “o que você vê na tela é a realidade”.

Computadores tornaram-se populares com o Windows e o Word, que logo foi completado pelo Excel e demais ferramentas do pacote MS Office. Por conta disso, os formatos para documentos utilizados pela MS são um verdadeiro “padrão de mercado”.

Tendo começado em 1987, tenho mais de 5.000 documentos que ainda me são úteis criados com o pacote Office da MS. Além disso, troco documentos com colegas e clientes, que utilizam o que já chamei de “padrão de mercado”.

Tudo isso me impedia de adotar o GNU/Linux no trabalho, livrando-me totalmente do Windows XP que estava instalado em minhas máquinas. Eu disse me impedia, mas não me impede mais.

Com efeito, desde o lançamento do LibreOffice, já em sua série 3 (a primeira versão foi a 3.3, lançada em janeiro de 2011), passei a usar apenas o Ubuntu nas máquinas do escritório por entender que a capacidade de lidar com os formatos da MS já era satisfatória (ainda há falhas, mas dá para conviver com elas).

Dei aqui esse depoimento porque, ontem, o assunto compatibilidade com os formatos da MS foi citado no Fórum do VOL como impedimento ao uso de GNU/Linux no desktop. Não é verdade, ao menos se a edição ou criação de documentos não depende das funções avançadas do Word e do Excel, como no meu caso.

Resumindo, se você digita documentos e cria planilhas que não dependem de macros ou de outras funções avançadas, poderá substituir seu MS Office pelo LibreOffice até mesmo no Windows, já que há versão do LibreOffice para o SO da MS.

E após usar Windows com LibreOffice, Firefox (ou Google Chrome), Thunderbird e VLC, não haverá razão para continuar com esse SO, pois todos os programas citados rodam melhor no GNU/Linux.

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Sobre pinduvoz

Advogado por profissão, entusiasta do SL por opção.
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