O openSUSE anda desprestigiado por aqui?

Li hoje no VOL um tópico que trata da pergunta acima, título que escolhi para este post.

Após responder ao autor do tópico, resolvi escrever sobre isso também aqui.

Por que será que o openSUSE, uma das distros mais fáceis de usar e mais estáveis do “universo” Linux, não faz sucesso entre nós?

A resposta, a meu ver, está amparada em diversos fatores. E os principais seriam:

1) é uma distro baseada em pacotes rpm, e, por tradição, os brasileiros preferem distros baseadas em pacotes deb;

2) a Novel, patrocinadora da distro, celebrou um acordo de patentes com a Microsoft em 2006, fato que repercutiu muito mal nas comunidades e organizações envolvidas com o software livre;

3) a rápida adoção do KDE4 pelo openSUSE afastou usuários, que agora retornam não só pela estabilidade adquirida pelo KDE4, mas também pelas recentes e também inicialmente rejeitadas mudanças implementadas pelo Gnome 3.

Se você tem algo a acrescentar sobre o uso do openSUSE por aqui (Brasil),  participe do tópico no VOL ou deixe aqui mesmo seu comentário.

Sobre pinduvoz

Advogado por profissão, entusiasta do SL por opção.
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8 respostas para O openSUSE anda desprestigiado por aqui?

  1. Fábio disse:

    Eu respondi ao autor do tópico no VOL e vou colocar aqui também as minhas considerações:

    1) é uma distro baseada em pacotes rpm, e, por tradição, os brasileiros preferem distros baseadas em pacotes deb;

    Não vejo razão para isso ser um motivo para não usar o openSUSE. Isso me faz lembrar uma frase pichada num muro da minha cidade natal. A pichação dizia: “Gosto de você porque minha bicicleta é azul”. Se fosse por essa razão, distros como Conectiva, Fedora e Mandriva (e atualmente Magéia) nunca teriam feito sucesso por aqui.

    2) a Novel, patrocinadora da distro, celebrou um acordo de patentes com a Microsoft em 2006, fato que repercutiu muito mal nas comunidades e organizações envolvidas com o software livre;

    Considerando que Novell e Microsoft são empresas e ambas visam o lucro e não o fanatismo vejo como normal tal acordo. Isso também me faz lembrar torcidas de futebol. O jogador joga em um determinado time por dinheiro e a torcida fica achando que ele joga por amor. Aí quando o cara faz algo que desagrada a torcida (como vestir a camisa do maior rival) a torcida acha ruim. Mas o cara tá certo oras, ele tem que pensar no dele. Coisa que sempre atrapalhou o Linux foi seu fanatismo.
    Agora se perguntar para quem critica o acordo, o que diz tal acordo poucos sabem responder. Mas criticar é sempre mais fácil.

    3) a rápida adoção do KDE4 pelo openSUSE afastou usuários, que agora retornam não só pela estabilidade adquirida pelo KDE4, mas também pelas recentes e também inicialmente rejeitadas mudanças implementadas pelo Gnome 3.

    Também tenho que discordar pois sabemos que uma distro como o Fedora adota as inovações muito mais rápido que o openSUSE. E isso não afetou sua popularidade.

    Agora minha única razão para o fato do openSUSE ser pouco popular por aqui.

    O SuSE Linux sempre foi uma distro comercial. Logo era vendida e no Brasil haviam poucos revendedores. E com opções gratuitas para fazer download é obvio que pouquíssimas pessoas iriam pagar por algo que se podia obter de graça.

    Depois com a abertura da distro e a criação do openSUSE em 2005 o mercado de Linux no Brasil já tinha suas referencias: Conectiva, Kurumim e Debian. E o Ubuntu veio forte com a distribuição de CDs. E nisso tenho que reconhecer que a estratégia foi boa e ganhou muitos adeptos. Os usuários dos derivados do Ubuntu são uma consequência dessa estratégia.

    Logo não vejo o openSUSE “perdendo usuários”. Para mim o openSUSE está do mesmo jeito que sempre foi: uma boa distro pouco divulgada e pouco comentada.

    Abraços!

    • pinduvoz disse:

      Eu concordo quando você diz que os motivos que eu listei são “fracos”, ou seja, não justificam a falta de usuários de openSUSE em nosso país. Mas a verdade é que eles existem, por algumas razões que você mesmo identificou.

      – Debian como preferido

      A preferência por Debian no Brasil decorre justamente do Kurumin, que foi a porta de entrada no mundo Linux para a maioria dos brasileiros. E o Kurumin, para quem não sabe, começou a ser desenvolvido em 2004 e teve cinco lançamentos em 2005, ano em que o Morimoto mais trabalhou nele.

      E praticamente na mesma época surgiu o Ubuntu (o primeiro é de outubro de 2004), distribuindo CDs para os brasileiros que, então, tinham pouco acesso à internet de banda larga.

      – acordo com a MS

      O acordo de patentes foi ruim para o openSUSE enquanto Linux “aberto”, pois é fato que há “fanatismo” nas comunidades de software livre. Muitos usuários deixaram de usar ou, ao menos, testar o openSUSE por conta do envolvimento da Novel com a Microsoft.

      Não concordo com a atitude, assim como não concordo com muita coisa que o RMS diz ou faz, mas… muita gente que usa Linux age, ou reage, do mesmo jeito que ele.

      – KDE4 antecipado

      O KDE4 não afetou o Fedora porque o forte do Fedora era o Gnome.

      O openSUSE lançou o KDE4 em junho de 2008, ainda em versão 4.0.x, enquanto o Mandriva demorou mais, lançando em outubro do mesmo ano um KDE4 da série 4.1.x. O KDE4 do openSUSE foi o primeiro “usável”, mas, mesmo assim, ele foi objeto de muita rejeição.

      – conclusão

      Os “motivos” acima não deveriam “motivar” pessoas sensatas, e o openSUSE certamente merece mais usuários do que tem por aqui (Brasil).

      Abraço retornado.

  2. Frederico Siena disse:

    Vamos lá…
    Vou tentar em poucas linhas descrever minha experiência de anos com o antigo SuSE, o qual conheci em uma edição da revista PC Master em 19ebolinha.

    Instalei o danado e me apaixone pelo yast e o sax, pois pra quem usava o sistema do Senhor Patrick Volkerding desde a versão 3.x, onde tudo era na unha, o simples fato de por exemplo não precisar usar o xf86config, aquilo tudo era o paraíso, e de lá para cá nunca abandonei o sistema do camaleão, embora tenha testado inúmeras distros, sempre acabo voltando pra ele. Neste exato momento estou usando o 12.3 RC2 com o KDE 4.9.10.

    Me encantei pelas facilidades do Gnome modificado pela Canonical, pois o puro oferecido pelas outras distros (inclusive o Debian) nunca me agradou, e por este fato sempre usei KDE. Confesso que a elegância do Unity me atrai, mas cai por terra pela sua pobreza de recursos e ausência de ajustes finos, o que um painel de controle descente poderia proporcionar, possibilitando fazer o que se bem entende.

    Lembro como era fácil usar o Linuxconf, ferramenta padrão de configuração da Conectiva (que pena que este projeto acabou). Sempre adorei fuçar e escaramuchar pelo /etc, mas depois de certa idade você acaba cansando, pois o projeto LSB nunca foi levado a sério, e só existe para possibilitar que softwares proprietários compilem um único pacote por plataforma, então se achar nas peculiariedades de cada distro toma tempo e cansa mesmo, por isto o Yast é impar.

    Usei o Ubuntu por uns 2 anos (não exclusivamente) e ele tem seus encantos, também admiro a constante busca pelo crescimento da distro, mas demora tanto tempo pra se cativar um usuário de Windows e ficar mudando de interface a todo momento não permite se estabelecer uma fidelização. O Unity com suas lentes, e o HUD são ímpares também e creio sinceramente que dentro de alguns anos ele se iguale ao OS X em quesitos de usabilidade e responsividade.

    Compilei uma derivação do Kurumin para uma autarquia da Cidade de Londrina-PR, o qual reformulei totalmente, dando suporte a sistemas legados em Dataflex e Forms/Reports, fazendo-os rodar sob dosemu e wine. Esta experiência me proporcionou uma visão de que acima de tendências, e amor pela tecnologia, a experiência do usuário deve sempre falar mais alto.

    A algum tempo também consegui fazer alguns hackintoshs, e sinceramente, o sistema é do K7, estável e robusto, coisa de gente grande, faz um simples core2duo com 2GiB de ram parecer um canhão. Então creio que a Canonical está no caminho correto, mas ainda não é um sistema para usuários avançados e profissionais de ti mais exigentes, mas o bichinho é encantador, e confesso que minhas novas VMs são todas ubuntu LTS.

    Como um amante do Camaleão o que eu realmente acho que precisa melhorar é ter uma central de programas como o do Ubuntu, que possibilite um leigo usuário encontrar o que precisa quando ainda não sabe muito bem o que é, pois lhe é apresentado um ícone, um screenshot, descrição, softwares correlatos e associados e um ranckeamento, informações cruciais. Outra melhoria ao meu ver essencial, é uma maneira limpa e clara de se adicionar impressoras, que embora o Yast faça muito bem, mas no Ubuntu o autodiscover se comporta muito melhor, por outro lado o yast é uma bazuca.

    Resumindo, me sinto extremamente satisfeito e seguro com o openSUSE. Recomendo este vovozinho para qualquer situação, plataforma e dispositivo, pois assim como um camaleão o bicho se adapta ao necessário.

    Abraço a todos (as)!!!

  3. pinduvoz disse:

    Obrigado pelo comentário. Muito lúcido, por sinal.

  4. Minha primeira distro foi o suse 6.3 que tb veio em uma revista pc master, já tentei comprá-la novamente, mas sem sucesso.

  5. Uso linux a mais de 10 anos. E confirmo que o acordo com a MS me afastou de usar a distro na época. Acabei testando o openSUSE somente esse ano e acabei adorando.

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