Verdadeiros canivetes-suíços movidos a GNU/Linux

O conceito não é novo. Trata-se daquele CD ou pendrive (hoje em dia, já que antigamente eram disquetes) capaz de dar boot e fornecer ferramentas úteis à recuperação de um sistema que não inicia, ou dos dados que não podem ser perdidos contidos nele.

No GNU/Linux temos várias distros que podem fazer esse trabalho, mas a grande maioria são “distros de propósito geral” que optaram por disponibilizar mídia de instalação em modo “live”, ou seja, são distros que iniciam um ambiente de trabalho completo, que permite rodar programas.

A minoria, no entanto, é bem interessante. São distros “pequenas”, distribuídas em imagens entre 100 MB e 300 MB, que iniciam em modo “live” e trazem todas as ferramentas necessárias ao resgate de dados e do próprio sistema, quando possível.

As principais distros dessa categoria são as seguintes:

As duas distros acima são, em princípio, ferramentas para o particionamento de discos, mas são capazes de fazer muito mais do que isso, pois vêm equipadas com ferramentas como Partition Image, TestDisk, fdisk, sfdisk, dd, ddrescue e outras, o que as transforma em verdadeiros canivetes-suíços.

O Parted Magic é disponibilizado numa imagem de 300 MB, e o Gparted Live, mais leve, numa imagem de 110 MB.

Temos mais uma distro especializada bastante interessante, ideal para o trabalho de clonagem de discos, tanto para a manutenção de um confiável DVD de restauração, quanto para a instalação em escala de estações de trabalho, tarefa comum em empresas e outras organizações.

Essa última distro especializada é o

Ela também é fornecida numa imagem de cerca de 100 MB, e tem o inconveniente de rodar em texto, mas com opções intuitivas e bem explicadas que conduzem o usuário durante o processo de clonagem e restauração de discos inteiros ou de partições.

Se você, leitor, trabalha com manutenção de computadores, precisa conhecer e experimentar as ferramentas aqui citadas, pois elas certamente vão facilitar sua vida. E se não trabalha em manutenção, mas quer cuidar bem dos seus dados e poupar trabalho, posso garantir que elas também lhe serão úteis.

Qual seria o melhor GNU/Linux?

Muitos iniciantes chegam ao mundo do software livre, ou, precisamente, ao mundo do GNU/Linux, e ficam espantados com o número de opções disponíveis. Realmente, há uma infinidade de “distros” (modo como os iniciados se referem às distribuições GNU/Linux), mas todas elas se parecem, de um modo ou de outro.

As semelhanças entre as distros começam na “genealogia”, já que elas costumam derivar de distros mais antigas e tradicionais, passam pelo modo de “gerenciar software” (que os iniciados chamam de “pacotes”) e terminam no “ambiente desktop” utilizado, ou seja, na “cara” e na “usabilidade” da interface com o usuário.

Pela “genealogia”, podemos dizer que as distros descendem, basicamente, do Debian (a grande maioria, incluindo até mesmo o “famoso” Ubuntu), do Red Hat, do Slackware e do Gentoo.

As que descendem ou derivam do Debian usam os pacotes “deb” através do “apt” ou do “aptitude”, sendo que ambos têm por motor o “dpkg”. As baseadas em Red Hat usam pacotes “rpm” e várias ferramentas de gerenciamento, dentre as quais o “yum” (Red Hat Enterprise Linux – RHEL, Fedora e CentOS), o “urpmi” (Mandriva e Mageia) e o “zypper” (openSUSE). Todas essas ferramentas têm por motor o próprio “rpm”, ou seja, é ele que faz o trabalho duro.

O Slackware e as distros que dele derivam usam pacotes “txz” ou “tgz”, geralmente sem gerenciar “dependências” (o pacote x, que você instalou, depende dos pacotes y e z para funcionar, mas os últimos precisam ser instalados manualmente porque não há gerenciamento de dependências).

Já o Gentoo não tem pacotes, pois a ideia ao utilizá-lo é compilar binários otimizados na própria máquina onde serão executados. No entanto, a principal distro derivada do Gentoo, o Sabayon, utiliza binários prontos e um poderoso sistema de gerenciamento de pacotes, denominado “entropy”.

Na realidade, todos os gerenciadores de pacotes citados contêm basicamente comandos para localizar (em repositórios “on line”, ou na nuvem), baixar e instalar software no computador do usuário, e há inúmeras interfaces gráficas bonitas e bem organizadas que facilitam todo esse processo. Aliás, a tendência, aqui, é a da “loja on line de aplicativos” inaugurada pelo iTunes, seguida pelo Android e pelo próprio Windows. E para o GNU/Linux, mais de 90% do software disponível é gratuito.

Voltando às semelhanças, temos os “ambientes desktop”, e quatro são os destaques: KDE4, Gnome 3, XFCE4 e LXDE. Os dois primeiros, KDE4 e Gnome 3, dominam o mercado, e são os que fornecem tudo de mais moderno que o software livre tem.  O terceiro, XFCE4, fica no meio termo, enquanto o quarto e último, o LXDE, mira a simplicidade e a leveza, assim entendido o menor consumo possível de recursos de hardware.

Sobre o Gnome 3 há customizações interessantes, chamadas de “shells” (“conchas”, no sentido de “cobertura”). Temos o Unity, desenvolvido pelo Ubuntu; o Cinnamon, desenvolvido pelo Linux Mint; o Pantheon, em desenvolvimento pelo Elementary Linux; e, finalmente, o Consort, em desenvolvimento pelo SolusOS.

Como visto nestas breves linhas, as opções são realmente muitas, mas sempre haverá uma característica distinta capaz de seduzir e fidelizar o usuário, já que distros e ambientes costumam contar com ferrenhos defensores que, no mais das vezes, lembram torcedores de times de futebol.

Apesar das opções, há uma certa unicidade, uma coerência que faz o usuário do GNU/Linux sentir-se em casa mesmo utilizando algo que, em tese, ele nunca utilizou antes. E há também muita facilidade, tanta que qualquer um é, atualmente, um potencial usuário de GNU/Linux.

Portanto, não cabe aqui dizer qual distro seria a melhor, genericamente. Mas cabe, em situações determinadas, dizer que uma distro pode ser melhor. Com efeito, uma distro pode ser melhor para o seu hardware, porque ele é antigo ou limitado. Pode também ser melhor para iniciar um usuário, porque ela é focada na facilidade de uso.

Para descobrir se há ou não uma indicação de distro para você, basta pesquisar, pois as informações estão disponíveis em diversos “sites” espalhados pela internet. Sabendo qual é o seu hardware e o seu nível de entrosamento com computadores, você achará um GNU/Linux capaz de atender suas necessidades em menos de meia hora de pesquisa.

Mageia, o renascimento do Mandriva

Quem conhece um pouco da história do GNU/Linux, certamente ouviu falar do Mandrake Linux, distro que fez bastante sucesso desde seu lançamento, em 1998, e até 2005, quando a empresa francesa que a desenvolvia, a MandrakeSoft, fundiu-se com a brasileira Conectiva Linux, formando a Mandriva Linux e fazendo surgir a distro de mesmo nome.

Em 2010, a Mandriva Linux passou por uma séria crise financeira e funcionários descontentes resolverem criar um fork da distro por ela desenvolvida, dando-lhe o nome de Mageia Linux. Desde então, o Mandriva Linux afundou e o Mageia Linux cresceu. Aliás, cresceu muito, pois mostrou qualidades para isso.

Parece que tudo de bom que havia no Mandriva de antes de 2010 passou para o Mageia, cuja excelente versão 1 foi lançada em 2011. No ano seguinte, 2012, a versão 2 consolidou o sucesso da distro, que hoje está em segundo lugar no conhecido ranking de hits do Distrowatch.com, entre o Linux Mint e o Ubuntu (isso mesmo, Ubuntu em terceiro, após anos no primeiro posto).

O Mageia está perto da versão 3, que chegou ao segundo beta, certamente precisando de testadores da comunidade brasileira de usuários do GNU/Linux.

Quem se habilita?

E apenas para informar: muito do que havia no Mandrake Linux pode ainda hoje ser encontrado no PCLinuxOS, excelente distro americana desenvolvida com foco na facilidade de uso.

A Microsoft e o “complexo de maçã”

Já é notório que a Microsoft pensa em adquirir o controle da Dell, uma das maiores fabricantes de computadores do mundo.

E uma das especulações sobre essa possível aquisição seria a intenção de produzir no “estilo Apple”, ou seja, vender um pacote completo de hardware e software, pois, ao menos em tese, tal forma de produção seria uma vantagem da hoje maior empresa de tecnologia do mundo.

Para produzir no estilo da maçã  bastaria à MS, que sempre foi uma companhia de software e serviços, encarecer seu software vendido em regime de OEM, “traindo” seus parceiros de longa data que produzem e vendem computadores. Não dá para imaginar a MS tirando o Windows do mercado de OEM, mas podemos imaginar uma vantagem concorrencial para a Dell nesse mercado, que poderia, ao menos num primeiro momento, isolá-la no topo da pirâmide.

Já imaginamos um novo monopólio, ou quase-monopólio da MS, incluindo soluções completas no estilo de Cupertino, agora vamos imaginar as consequências imediatas dessa virada de mercado.

A primeira delas seria um grande incremento na participação de outros sistemas operacionais no mercado de computadores novos, pois essa seria a aposta lógica de empresas como Lenovo, Acer e até mesmo a HP, caso a última não venha a sair do mercado.

Desses “outros sistemas operacionais”, a melhor opção seria o GNU/Linux, via distribuições consolidadas como Ubuntu, openSUSE e Fedora, todas com grandes companhias por trás.

Resumindo, caso a MS realmente se deixe levar pelo “complexo de maçã”, o GNU/Linux será o grande beneficiado.

A Microsoft está de olho na Dell

Li, há pouco, que a possível intenção da MS ao adquirir o controle da Dell, que já foi a maior fabricante mundial de computadores, seria produzir no “estilo Apple”, ou seja, vender um pacote completo de hardware e software, pois, ao menos em tese, tal forma de produção seria uma vantagem da hoje maior empresa de tecnologia do mundo.

A Apple sempre vendeu um pacote, ou seja, um computador para ligar e usar. Já a MS nunca vendeu um pacote, mas uma solução de uso para fabricantes do então pouco conhecido IBM-PC, que de IBM não tinha mais nada. Usando a solução da MS, são os diversos fabricantes, incluindo a própria Dell, que vendem um pacote.

A MS era e ainda é a antítese da Apple. A primeira produz um SO “aberto”, que qualquer fabricante pode utilizar; a segunda produz um SO  fechado, que só um fabricante (ela mesma) pode utilizar. E, por conta disso, a MS assumiu um monopólio “de fato”, baseado na produção infinitamente maior de IBM-PCs do que Apples, Macintoshs e iMacs.

O sucesso da Apple vem do ecossistema que ela criou, mas que também funciona, ao menos na parte vital (iTunes), no IBM-PC. E se não funcionasse também na plataforma rival, esse ecossistema, que hoje “dirige” alguns usuários para computadores da Apple (“comprei um iPhone, depois um iPad e agora vou comprar um iMac ou Powerbook”), não teria sido possível.

A própria Apple vem enfrentando queda nas vendas de computadores, que não são mais o ganha-pão daquela empresa. Hoje, ela fatura muito mais com iPhone, iPad e iTunes do que vendendo iMacs ou Powerbooks, e isso é uma consequência do fato de os usuários estarem preferindo os dispositivos móveis fora do ambiente corporativo.

E mesmo na mobilidade absoluta, onde a Apple foi e ainda é a pioneira, a concorrência está cada vez mais acirrada, fazendo a gigante de Cupertino perder mercado a cada dia.

Resumindo, só podemos especular quanto a verdadeira intenção da MS ao mirar a Dell, mas, qualquer que seja a intenção, o fato é que uma gigante do software estará no controle de uma gigante do hardware, e isso abre um mundo de possibilidades.

O que diabos é “rolling release”?

Hoje li um post afirmando que o Debian Wheezy não é uma distro rolling release. Respondi concordando, mas lembrei que o Debian teste pode estar rolling release.

Realmente, o Debian nunca foi pensado como uma distro rolling release, assim entendida aquela que aceita atualizações para sempre e não precisa ser extensivamente atualizada, ou até mesmo reinstalada, quando uma nova versão é lançada.

Aliás, uma distro rolling release de verdade não usa versionamento;  ela apenas atualiza imagens de instalação, geralmente uma ou, no máximo, duas vezes por ano.

Ocorre, no entanto , que uma verdadeira distro rolling release é mais do que uma distro de atualização permanente, sendo imprescindível que haja um compromisso dos desenvolvedores no sentido de não quebrar o sistema com as constantes atualizações. Seria uma espécie de compromisso de funcionamento, a ser mantido com bastante trabalho.

Disso, ou seja, do compromisso de funcionamento, o Debian não cuida, seja para o teste (o Wheezy, atualmente), seja para o instável (o Sid, hoje e sempre). Sendo os dois ramos do Debian antes citados apenas etapas de desenvolvimento da próxima versão estável, é possível,  e até mesmo provável, que haja incompatibilidades dentro do próprio sistema de pacotes incluídos nos respectivos repositórios (testing e unstable).

Mas há grupos trabalhando em versões rolling release do Debian, tanto baseadas no teste quanto no instável. No caso do teste, temos o Linux Mint Debian Edition – LMDE; no instável, há o APTOSID, sucessor do SIDUX, e também um fork dele, denominado SIDUCTION.

Ainda que as distros acima citadas assumam o aqui mencionado compromisso de funcionamento, jamais haverá uma garantia absoluta de estabilidade numa distro de atualização permanente, sobretudo em tempos em que a tecnologia muda radicalmente.

O risco, então, será sempre do usuário que quer estar em dia com o que há de mais novo.

Compartilhamento fácil com system-config-samba

O pacote system-config-samba disponibiliza uma GUI simplificada para gerenciar o samba, servindo para adicionar pastas compartilhadas , ou shares, e usuários do samba de maneira intuitiva.

O programa está disponível no Ubuntu e derivados, e também no Fedora e derivados, podendo ser instalado rapidamente pelo terminal, via apt (Ubuntu) ou yum (Fedora).

Uma vez instalado, abra a GUI (o título, no menu, é “samba”) e use-a para criar pelo menos uma pasta com acesso leitura e escrita em cada máquina da rede (sugiro o nome “público”) e compartilhar outras de seu interesse (vídeos, imagens, documentos e músicas, no meu caso).

É tão fácil quanto roubar doce de criança.